SoLetrandos

SoLetrandos

sexta-feira, 30 de abril de 2010

MEMÓRIA DA PRIMEIRA VEZ QUE ESCREVI



Por Marcelle Bittencourt



Meu pai nasceu no Estado da Bahia, em Jequié e foi morar em Itambé, onde conheceu minha mãe. A paixão surpreendeu esses jovens e após dois anos de casamento tiveram seu primeiro filho, meu irmão Johann. Nasci dois anos após o nascimento dele. Meus pais tiveram o sonho de nos conceder tudo que não tiveram, e por isso, desde cedo nos matricularam em escola particular.


Estávamos morando em Vitória da Conquista e minha mãe recorda que era muito complicado para chegarmos na Escola Mundo da Criança, pois nem sempre era acessível o transporte público, e por isso, enfrentávamos os dias de chuva a pé e percorríamos muitos quilômetros sentindo frio. Johann já estava com cinco anos e eu ainda nem completara quatro anos.


A minha estimada professora Rita me separou muitas vezes do meu colega Fábio, pois na nossa concepção ingênua de criança imaginávamos ser namorados. Ele também me ajudava com as letras e os números que a cada dia era nos ensinado, não era fácil lidar com tantas informações novas em tão pouco tempo.


Mas para que nosso aprendizado fosse eficiente, nossa tia Rita – assim era conhecida, realizava muitas atividades e brincadeiras que facilitavam a memorização das letras e das palavras. Os jogos lúdicos envolviam nossos olhares e despertavam nossa curiosidade para conhecer mais o alfabeto e parte do dicionário.


Quando chegava em casa, após o almoço e um leve descanso, era hora de iniciar as atividades escolares para serem entregues no dia seguinte. Minha mãe nos ensinou muito bem acerca de planejamento, e pacientemente, ela nos ajudava a aprender a ler e escrever.


Minha memória não guardou tantas lembranças passadas, já se foram vinte anos de momentos significativos, todavia, meus pais fazem questão de relatar que no momento em que aprendi o alfabeto e as primeiras palavras, passei a ler tudo que via pela frente. Eram placas nas ruas, nomes de estabelecimentos comerciais, folhas de revistas, capas de livros, rótulos de enlatados, enfim, tudo aguçava a vontade de aprender logo e ser mais compreendida pelos adultos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário